GIOVANNI MANCUSO
O Paipo tem o prazer de apresentar um pouco da trajetória vitoriosa do Giovanni Mancuso. A sua história é rica de conquistas e lutas. Tendo o Uruguay um lugar de destaque.

1 – Giovanni com o Paipo.
ENTREVISTA
1. Nome
Giovanni Mancuso
2. Idade
44
3. Estado civil - filhos:
Casado com a Luciane. Uma filha, a Valentina, de 4 anos
4. Início do surfe
De 1974 até 1977, eu surfava durante os veraneios em Imbé, onde passava as férias, de dezembro até março. Usava uma Guarujá, de isopor. No verão de 77, minha Guarujá (que costumava quebrar no final do veraneio), tinha um reforço de tinta e copinho para prender o leash. Eu já a usava como prancha, inclusive pegando ondas depois da arrebentacão e surfando no corte da onda.
Em setembro de 77, ganhei minha primeira prancha de surfe, de presente do meu avô. Era uma Giló, monoquilha, 6'6" comprada na Multisport. Em setembro de 78, eu ganhei minha segunda prancha, uma Rico, monoquilha, 6'4".
Em 79 eu fiz a minha primeira surftrip para Santa Catarina, para Garopaba e depois disso, aos poucos o surfe foi tomando conta do meu horário livre. Fiz um intercâmbio estudantil em 81 e pude surfar durante 6 meses nas geladas ondas do norte da California. No mesmo ano, participei do meu último campeonato de skate, sagrando-me vice campeão gaúcho. A partir de então, o surfe tomou conta e passei a competir com frequencia.
5. Praia de origem
Imbé
6. Local da Atual residência:
Porto Alegre/RS
7. Tempo de surfe:
33 anos
8. Atividades atuais além do surfe:
Sou sócio em um escritório de design gráfico e mantenho um blog no ar: www.giovannimancuso.blogspot.com
9. Metas atuais no surfe:
Pura diversão. Procuro surfar sempre que posso e, na medida do possível, sempre que viajo, tento viajar para algum lugar com onda.
10. Principais participacões e títulos no surfe:
Foram muitos campeonatos ao longo destes 32 anos, mas sem dúvida os mais importantes foram os seguintes:
- OP PRO, na Joaquina, em Santa Catarina: no mesmo evento que revelou Fábio Gouveia e Carlos Burle, com quase 600 participantes de todo o Brasil, fiquei em 17º lugar;
- 3º Circuito Renner, em 1987. Este circuito, apesar de acontecer apenas no verão, durante alguns anos foi considerado o circuito estadual de surfe do Rio Grande do Sul. Fui campeão neste ano, disputando a liderança do ranking com outros dois nomes importantes - Felipe Silveira e Tuca Gianotti.
- Brasil Surf/Renner - Etapa do Circuito Brasileiro de Surf. Participei da categoria Master, contra alguns nomes de peso do surfe brasileiro. Venci.
- Circuito Gaúcho de Surf 2005 - Campeão Master. Considero um título importante porque provou para mim mesmo que, se quisesse, ainda estaria ganhando títulos. Depois de vários anos sem competir a sério, participei apenas do número mínimo de etapas, abrindo mão dos descartes (ou descartando todas as etapas em que não participei) e ainda assim venci.
11. Atuais patrocínios:
Não tenho patrocínios. Mas recebo acessórios da StickyIirada e pranchas da Tricoast sem ter que pagar nada.
12. Quais as principais mudanças nos campeonatos de surfe no Brasil e no exterior?
Mudaram as regras, para exigir mais perícia dos atletas. Antigamente bastava o competidor fazer manobras sem muita expressão tomando o cuidado de fazer o maior percurso possível. Assim, o que se via era uma coisa monótona e que privilegiava os medíocres. Hoje, os competidores, tem que fazer manobras fortes, inovadoras, com velocidade e, muito importante: variar o repertório.
13. Qual o futuro do surf na ASP?
Acredito que a turma que está à frente da entidade sabe o que faz. Wayne "Rabbit" Bartholomew e o brasileiro Renato Hyckel, tomando conta da parte técnica, estão fazendo um ótimo trabalho, como citei na pergunta anterior.
Me parece que a busca por uma maior quantidade de dinheiro envolvida no circo é um compromisso da ASP e se conseguirem atingir este objetivo, os principais beneficiados serão os surfistas.
Além disso, ao criarem a associacão dos atletas profissionais, WPS, garantiram que os principais interessados, passem a defender os seus intereses.
14. Quais as maiores dificuldades dos surfistas profissionais e amadores em suas carreiras?
Antigamente, no meu tempo, era a falta de profissionalismo por parte dos patrocinadores. Os atletas não eram tratados como deveriam ser e o que se via era uma relação desrespeitosa de parte a parte.
Hoje, existem duas realidades: aqui no Brasil, continua faltando dinheiro e ainda é difícil de se almejar uma carreira neste esporte.
Já no exterior, principalmente nos EUA e Australia, é o contrário. O problema é justamente a evasão escolar que os patrocínios que estão surgindo muito cedo na carreira dos jovens surfistas estão causando. E mais tarde, caso a carreira deste jovem não dê em nada, ele fica perdido, sem estudo e sem emprego.
15. Quais as novidades tecnológicas que vem ajudando nos julgamentos no Brasil e no exterior?
A principal delas, é de autoria de uma empresa brasileira e já é antiga: o sistema de julgamento da BiteByte. Para o atleta e para o público, poderem ouvir o valor das notas imediatamente à onda surfada é a melhor coisa que já inventaram. Acrescentou emoção às competições.
Mais recentemente, a transmissão online dos eventos, principalmente das etapas do circuito mundial, deram uma maior visibilidade para patrocinadores e surfistas competidores. Estas transmissões estão dando ao surfe competição um pouco daquele glamour que há nas etapas da Fórmula 1.
E agora, a partir deste ano, foi introduzido o recurso do "instant replay" ou seja, a possibilidade de dar um "replay" numa onda antes de decidir a nota a ser dada. Isto é fantástico.
Bem, mas a pergunta era sobre as novidades aqui e fora daqui, certo? Bem, eu fico feliz em afirmar que o que acontece no circuito mundial, é bolado, na maior parte das vezes por brasileiros. Sendo assim, tudo que se faz no Circuito Mundial, acaba se fazendo no Circuito Brasileiro e, por consequência, acaba chegando até as etapas dos circuitos regionais.
Puxa vida, eu tenho acompanhado as etapas do Circuito Gaúcho, ao vivo via internet!!
16. Quais as diferenças entre os julgamentos no Brasil e no exterior?
Não há.
17. Quais os maiores surfistas que viu competir?
Suponho que a pergunta se refira "ao vivo", então eu listo a seguir;
Brasileiros: Cauli Rodrigues, Pedro Muller, Fábio Gouveia, Teco Padaratz, Picuruta Salazar.
Estrangeiros: Tom Carrol, Barton Lynch, Martin Potter, Mark Occhilupo
18. Quais os seus maiores ídolos dentro do surfe?
Mark Richards, Tom Carrol, Tom Curren, Kelly Slater
19. Fale um pouco sobre o "Projeto Uruguai" e a polêmica "Los Putos":
Na verdade o "projeto" nasceu da vontade de alguns amigos de longa data fazerem uma surftrip juntos, para tentarem resgatar a amizade meio esquecida. Todos com compromissos familiares e profissionais já quase não se viam mais. Alguns até haviam relegado o surfe a um esporte de verão, praticado durante janeiro e fevereiro.
Esta viagem serve para revivermos durante uma semana, aquele tempo quando nossas únicas preocupações eram com a parafina do dia seguinte e o dinheiro para o final de semana na praia.
E temos conseguido, já por dois anos, viver uma semana de muita brincadeira, ótimas ondas e merecido bom surfe!
Quanto à polêmica, bem, o que aconteceu foi que estávamos chegando ao pico e avistamos dois caras de sunga branca, fazendo uma luta de jiu-jitsu na areia. Ao menos foi o que pensamos na hora. Começamos a gozar sobre o fato, achando que tratava-se apenas de uma brincadeira de mau gosto, afinal qual é a graça de rolar na areia, apenas de sunga, agarrado a outro homem? O problema é que depois da primeira rolada, os dois começaram a se beijar apaixonadamente! Imaginem esta cena, vista de dentro de um ônibus cheio de caras revivendo a sua adolescência, como se fossem garotos, na excursão do colégio! Imediatamente um gritou: "Los Putos!". A partir daí, passamos a nos referir àquele pico como "a praia de Los Putos". Só que naquele ano não chegamos a surfar lá porque não tinha onda.
Mas neste ano, o pico estava clássico! E adivinha como chamávamos o pico! O problema é que publiquei umas fotos no meu blogue, informando na legenda que tratava-se de Los Putos.
Quando alguns uruguaios descobriram, passaram a mensagem adiante e daí foi uma confusão tremenda, pois muitos deles ficaram ofendidos, claro.
Mas acho que consegui esclarecer a confusão ao acessar o site Paipo e contar lá a história acima.
20. Qual a sua opinião sobre as ondas do Uruguai?
A melhor possível. Já fui pra lá algumas dezenas de vezes. Em todas elas eu peguei altas ondas. Bem, em algumas não eram "altas" ondas, mas sempre peguei ondas de qualidade. Hoje em dia eu prefiro viajar para o Uruguai para surfar do que para Santa Catarina.
21. Quais foram as melhores ondas que surfou no Uruguai?
Na minha primeira viagem ao Uruguai, em 87, na chegada, surfei La Moza clássico - e sem ninguém na água! 1,5m de direitas saindo de trás das pedras e indo até o outro lado da baía. No dia seguinte, pegamos Los Botes de cinema e, no outro, Zanja Honda de chorar! Foram os três dias mais clássicos que já peguei no Uruguai. Março de 87, jamais vou esquecer.
22. Na sua opinião, qual a sua opinião sobre o intercâbio entre o sul do Brasil e o Uruguai?
É curioso, mas nestes anos todos que viajei ao país vizinho, nunca firmei nenhuma amizade. Da mesma maneira, não me lembro de ter visto nenhum uruguaio surfando em Tramandaí, onde eu teria o maior prazer em recebê-los.
Acho que os uruguaios passam direto por aqui e vão para Santa Catarina. E eu assumo que fiquei muitos anos sem ir ao Uruguai. Comecei a frequentar as terras uruguaias novamente no ano passado. Quem sabe em março de 2008 eu faço novos amigos em La Paloma?
23. Qual a sua opinião sobre o Paipo?
Ótimo! É uma boa referência para quem não conhece, conhecer e quem já conhece, saber como estão as coisas no Uruguai. Já guardei ótimas imagens de ondas clássicas, que tirei do Paipo, para enfeitar a tela do meu Macintosh...
24. Qual a sua mensagem ao surfista uruguaio?
Eu gostaria que os surfistas uruguaios não mudassem o estilo hospitaleiro de ser. Eu comentei que não tenho amigos no Uruguai. No entanto, sempre fui muito bem tratado. Mesmo não sendo um amigo, daqueles que tem o telefone e sabe o nome, sempre pude surfar com tranquilidade nos picos uruguaios. E isto é muito bacana.
Mas eu lembro que em Santa Catarina também era assim e com o tempo e a invasão descontrolada, aumentando o crowd, o clima nos picos catarinenses ficou pesado.
Meu medo é que à medida em que os brasileiros forem "invadindo" o Uruguai, comecem a surgir restrições, por parte dos uruguaios, para com os brasileiros.
O pior - e devo admitir isto - é que a grande maioria dos brasileiros é muito mal educada dentro dágua. É duro de aguentar os meus conterrâneos num surfe. Quase impossível de não acontecerem atritos e "climas".
Minha mensagem aos uruguaios? Que eles saibam proteger e valorizar os seus picos sem que seja necessário acabar com a paz que há dentro dágua naquela terra.
Da minha parte eu garanto que sempre faço o que deve ser feito: sei que sou visitante e comporto-me como tal. Ouço que "my casa es su casa" mas procuro não abusar, pois quero voltar lá todos os anos.
URUGUAY
O Giovanni tem grandes experiências com as ondas do Uruguay. La Moza, Los Botes, Sanja Honda foram surfadas há mais de 20 anos atrás, como mostram as fotos que seguem , de 1987 :

2 – La Aguada 1987.

3 – La Moza 1987.

4- La Moza 1987.

5 – Los Botes 1987.

6 – Sanja Honda 1987.

7 – Sanja Honda 1987.

8 - Santa Tereza 1987.

9 – La Paloma.

10 – Histórica foto de La Moza na década de 80, com bom tamanho.
PROJETO URUGUAY
Este projeto do Giovanni tem trazido por alguns anos um grupo de surfistas a região de La Paloma. No ano de 2007 o Paipo se fez presente com TIO&USHI, e algumas fotos foram tiradas juntamente com o Felipe Oliveira que fazia a cobertura. Para o ano de 2008, novamente esta trip estará programada e o Paipo se fará presente. Nunca ocorreu qualquer incidente envolvendo os brasileiros visitantes, apenas muito surf , respeito e muitas Patrícias de litro. Chegaram até a assumir o restaurante do Hotel e serviram o autêntico churrasco gaúcho aos hospedes. Seguem fotos na região de La Paloma.

11 – Batida La Moza 2006.

12 – Batida Las Achyrras.

13 – La Pedrera 2006, descendo ao pico.

14 – Cavada La Pedrera.

15 – Rasgando Praia do Barco 2007.

16 – Conferindo o pico, praia do Barco 2007.

17 – Manobra praia do Barco 2007.

18 – Batida praia do Barco 2007.

19 – Praia do Barco, cavada 2007.

20 – Volta da batida, praia do Barco 2007.

21 – Reunião dos amigos ao redor da fogueira com muitas Patrícias.

22 – Rasgada Sanja Honda, 2006.

23 – Floater, La Aguada 2006.
LUTAS
O Giovanni Mancuso tem grande influência no sul do Brasil. Os grandes progressos passaram por atos e idéias suas. Em 1987 com as premiações e salários dos patrocinadores, foi um dos primeiros surfistas gaúchos a viver muito bem com o surf. O seu nome foi sempre divulgado em revistas , jornais, rádios e a imprensa em geral. Não só por suas atuações como na luta em favor dos surfistas. No sul do Brazil dezenas de surfistas morreram nas redes de pescadores. O Giovanni luta até hoje por uma melhor organização, que a disputa entre pescadores e surfistas não acabe em outras mortes . Foi um dos fundadores da ASTRI. A BRASIL SURF deve muito de seu sucesso em anos anteriores ao trabalho de nosso entrevistado. Atualmente vem lutando para que os surfistas não paguem para embarcar as pranchas nas viagens aéreas. Seu trabalho já tem tido muitos resultados. Aos paiperos, muito cuidado, as companhias aéreas brasileiras cobram taxas para embarcar pranchas, e isto é ilegal.
Possui um site próprio, onde divulga suas idéias e escreve ao Jornal Extremo Sul e aos sites Ondas do Sul e Go Surf. O Surf no sul do Brazil tem muito se baseado em seus ensinamentos e opiniões.
Seguem algumas fotos e matérias :

24 – Jornal ZERO HORA , 1985 , luta contra os pescadores.

25 – Jornal da Brasil Surf.
BACKDOOR – MALVINA
Até hoje muitas pessoas me perguntam porque as pontas do Píer de Tramandaí possuem o nome de Malvina e Backdoor. No ano de 1982 o Giovanni Mancuso e um grupo de surfistas , época da Guerra das Malvinas, diziam que as “olas” estavam muito boas, e vinham de um sweel vindo das “Malvinas”. Com o tempo ficou apenas Malvina. Malvina é o lado direito do T do píer de quem vê da beira da praia. Só neste lado dava onda. Com o passar do tempo o fundo se modificou. Novamente Giovanni foi ao outro lado para conferir as ondas que quebravam com melhor consistência e começou a chamar o backdoor da malvina. Que com o tempo ficou apenas backdoor.
Neste local foi onde tive bons desafios na disputa de ondas, sempre me posicionava no outside para pegar as maiores, quando muitas vezes tive que disputar ondas com o Giovanni . No inicio alguns atritos, mas logo contornados , sempre prevalecendo o respeito e o melhor posicionamento. Seguem fotos no backdoor e malvina.
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26 – Malvina 2006.

27 – Backdoor clássico.

28 – Cutback , Malvina 1982.

29 – Malvina clássica.

30 – Backdoor , outside solitário.
MÉXICO
O México e os tubos de Puerto Escondido, sempre tiveram a sua presença, como as fotos demonstram claramente :

31 – Cavada backside 2000.

32 – Cavada, 1987.

33 – Cavada, 2000.

34 – Tubo, 2000.

35 – Tubo , 2003.

36 – Tubo backside , 2003.

37 – Cavada backside, 2003.
CALIFORNIA
Em 1981 morou seis meses ao norte de São Francisco, e, pegou algumas ondas congelantes, como as fotos que seguem :

38 – Blacks, 1987.

39 – Trestles , 1987.
CONQUISTAS
Como competidor o Giovanni sempre esteve entre as primeiras colocações em todas as categorias. Dominava os campeonatos sempre ao lado de Felipe Silveira e Tuca Gianoti.
Campeonatos gaúchos e da ASTRI foram muitos. Foi campeão brasileiro Máster. Mas com certeza , a conquista da Master do Rio Grande do Sul já na faixa dos 40 anos foi um grande desafio e um retorno as competições como vencedor. Os títulos se acumulam desde 1982. As revistas e jornais sempre o colocam no topo.

40 – Revista Fluir.

41 – 1ª Premiação, 1982.

42 – Revista Surfer.

43 – Revista Inside.
ESTILO
O seu surf foi sempre marcado por um belo estilo, manobras agressivas e no ponto crítico das ondas. As batidas, cutbacks e tubos são sua especialidade, em qualquer tipo de onda e tamanho.

44 – Tubo México.

45 – Rasgada, México.

46 – Radicalidade, Rosa Norte 1989.

47 – Batida Malvina 1988.

48 – Cutback, Malvina 2007.

49 – Tubo.
Caros amigos, um grande exemplo a ser seguido e um grande conhecedor das ondas charruas. O intercâmbio entre a parte sul do Brazil e o Uruguay, se faz necessário. Bons exemplos de ambos os lados podem ser seguidos.
Por Mauro Escobar
Muchas gracias Giovanni por la buena onda con nosotros, en el "Projeto Uruguay 2007" Tio&Ushi estuvieron con ustedes y me comentaron de la buena onda que tuvieron con ellos, espero que para el "Projeto Uruguay 2008", podamos hacer una mejor cobertura y surfar algunas juntos.
Juanto