Supremacia brasileira no surf de ondas grandes

Supremacia brasileira no surf de ondas grandes


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Foto: Rodrigo Resende, o big rider brasileiro esta na briga pelo bicampeonato mundial de tow-in em Jaws.



O Roger, responsável pelo site do Carlos Burle nos fala da supremacia do surf brasileiro em ondas grandes. Quero ver qual a opinião de cada paipero. Deixem comentários.

Matéria..................

Após o fracasso dos surfistas profissionais brasileiros no ano de 2008, um dos piores, senão o pior, da história do nosso surf profissional, salvando-se as performances de Adriano Mineirinho e Silvana Lima no WCT, e a sensacional vitória de Bruno Santos no Taiti, fica a pergunta: Como será 2009 para o surf e os surfistas profissionais brasileiros?

Ao menos no cenário internacional do surf em ondas grandes a expectativa é positiva, com nossos atletas iniciando 2009 como candidatos ao título mundial de tow-in. Além da garantia de performances consistentes e vitoriosas em todas as competições em janela de espera e nos grandes swells mundo a fora.

Reproduzimos abaixo o texto (com algumas atualizações), publicado na coluna Go Big!, da Revista Surfar, questionando a supremacia brasileira no surf mundial - de ondas grandes.
Supremacia brasileira no surf de ondas grandes
(Publicado na Revista Surfar, coluna Go Big!, edição #03 -Set/Out 2008 )

Lembro-me bem quando assisti em 1998 a matéria sobre o primeiro campeonato mundial de ondas grandes da International Surfing Association, ISA. Fiquei chocado, completamente atônito ao ver imagens sensacionais de Todos os Santos quebrando gigante. O som punk eletrônico arrebatador do Prodigy dava o tom perfeito para aquele que é considerado, até hoje, o evento de remadas com as maiores e mais assustadoras ondas já realizado em todo o planeta. Carlos Burle e Rodrigo Resende, nossa equipe no México, mostravam para o mundo que dali em diante o Brasil estaria definitivamente no topo. Burle, com um verdadeiro show de surf nas morras mexicanas, faturou o título e Rodrigo Resende foi o quinto colocado. O que tornou o Brasil vencedor por equipe em Todos os Santos.
Burle venceu o evento mesmo sendo resgatado de um caldo incrível, que lhe rendeu um corte profundo no rosto e, após quebrar todas as suas pranchas, foi forçado a finalizar a competição com uma 9'6 emprestada pela equipe japonesa.

Com o início do surf rebocado pelo jet ski (tow-in), Carlos Burle seria mais uma vez o centro das atenções no universo do surf mundial. Em novembro de 2001, ele e seu parceiro Eraldo Gueiros desafiariam o maior swell já surfado em Mavericks, situado na baía de Half Moon Bay, na cidade californiana de São Francisco, norte dos EUA.

Mavs é um dos picos de ondas grandes mais assustadores, pelas condições adversas como água e clima gelados. Além de ondas extremamente pesadas e tubarões brancos rondando regularmente o line up. Foi lá que, no dia 21 de novembro de 2001, Eraldo rebocou seu parceiro Burle para uma morra gigante estimada em 68 pés (22 metros aproximadamente). A maior surfada até aquela data em todo o planeta, consagrada no ano seguinte como a grande vencedora do XXL 2002, o prêmio máximo do big surf mundial.

Burle e Eraldo era a única dupla no mar desafiando, sozinhos, as maiores ondas já surfadas no pico californiano. Certa vez ouvi Carlos Burle relatar um dos momentos mais dramáticos dessa sessão histórica para o surf mundial. Burle rebocou seu parceiro para uma das morras mais pesadas do dia. Eraldo não conseguiu passar a gigantesca sessão e foi varrido pela onda, sendo arrastado até próximo das pedras de Mavs. Como havia bastante nebulosidade naquela tarde, início de inverno no Hemisfério Norte, Burle encontrou dificuldades, já que a dupla brasileira estava sozinha no mar, e demorou bastante para fazer o resgate. Após procurar Eraldo por longos minutos na zona de impacto, imaginando que o pior poderia ter acontecido, localizou seu parceiro são e salvo próximo as pedras e executou o resgate.

Aquela tarde de novembro entraria para a história. O surf brasileiro alcançaria o topo do cenário mundial, sagrando-se novamente campeões, graças a performance de seus surfistas de ondas grandes.
Seguindo a trajetória espetacular do nosso "Big Team", me recordo do lançamento no início de 2002 do longa brasileiro Surf Adventures, o filme. E lá estavam os brasileiros Carlos Burle, Danilo Couto e Rodrigo Resende, desafiando grandes swells. Na remada, ou rebocados, com ondas de 45 pés plus em Mavericks, nosso time surfava em igualdade de condições com os gringos, acostumados a encarar ondas grandes em seus países de origem. Como os californianos Peter Mel, Flea, Jay Moriarty(in memorian), Grant Washburn, e o australiano Ross Clarke-Jones. O heptacampeão mundial da ASP, Kelly Slater, definiu Mavs da seguinte forma: "É a onda mais aterrorizante que já surfei, é como uma casa de três andares vindo na sua direção."

Em janeiro de 2003 aconteceu na ilha havaiana de Maui o primeiro grande evento de surf rebocado mundial, o Tow-In World Cup. A competição rolou em condições épicas no pico de Jaws, baía de Pe'ahi, com ondas que chegaram aos 50 pés sólidos e, mais uma vez, nosso time de ondas grandes roubou a cena.

O carioca Rodrigo Resende foi o grande vencedor, em parceria com o havaiano Garret MacNamara, com Carlos Burle e Eraldo Gueiros, finalizando o evento em Jaws na terceira posição. O Tow-In World Cup é considerado o primeiro campeonato mundial de tow-in, fato que tornou Resende o segundo brasileiro a sagrar-se campeão mundial de ondas grandes na história do surf.
Nos anos seguintes pude acompanhar mais de perto a consolidação da hegemonia do surf brasileiro no cenário internacional. Como o vice-campeonato mundial de tow-in de Burle e Eraldo em 2007, as performances sensacionais de Burle no tradicional campeonato de ondas grandes na remada Red Bull Big Wave África, o segundo lugar (Resende/Yuri Soledade), e terceiro lugar (Eraldo/Everaldo Pato), conquistados no Nelscott Reef Tow-in 2007 em Oregon, EUA. Além da capa da edição de fevereiro de 2008 da revista Surfer Magazine, emplacada por Carlos Burle com uma onda gigante espetacular em Ghost Trees, norte da Califórnia. Nossos atletas de ondas grandes figuraram sempre nas primeiras colocações das diversas categorias do XXL Big Wave Awards, protagonizadas ano após ano por Eraldo Gueiros, Danilo Couto, Rodrigo Resende e Carlos Burle.

Os acontecimentos no cenário das ondas grandes em 2008 reforçaram minha teoria, principalmente após a primeira etapa do circuito mundial de tow-in, que aconteceu na cidade chilena de Pichilemu onde, mais uma vez, os towriders brasileiros dominaram o pódio do evento. Resende/Danilo ficaram na segunda posição, Pato/Yuri em terceiro e Sylvinho/Alemão em quarto. A ausência na próxima, e decisiva, etapa do tour em Jaws, no Hawaii, deixou os brasileiros ainda mais perto do título mundial de tow-in 2008/2009.

Carlos Burle é o nosso representante na lista principal de convidados para o Eddie Aikau, um dos eventos mais aguardados e badalados da temporada havaiana. Além do Mavericks Surf Contest, competição de ondas grandes na remada prevista para rolar no pico de Mavericks, onde Burle também é o representante brasileiro na edição 2009.

Será pouco? Será que preciso de mais embasamento para afirmar que o Brasil é reconhecido internacionalmente no cenário principalmente pelas performances dos nossos surfistas de ondas grandes?

Temos, além dos homens, no big surf mundial ninguém menos que Maya Gabeira. Bi campeã do XXL, Maya, com apenas 21 anos, é a única mulher a desafiar ondas gigantes em picos temidos como Dungeons, Teahupoo, Ghost Trees, Mavericks, Waimea e Todos os Santos. E digo mais, essa menina carioca vai reinar no big surf feminino por muitos anos. Surpreendendo-nos a cada novo swell gigante, botando para baixo em morras cada vez maiores e, muito em breve, dando dura em muito marmanjo nas competições de ondas grandes, na remada e tow-in, mundo afora. Querem apostar?
Posso ser suspeito para comentar o desempenho dos atletas brasileiros no cenário mundial das ondas grandes, por ser um grande entusiasta, respirando swells, notícias, fotos, imagens e tudo mais do cenário big todos os dias. Mas a grande realidade é que ao longo dos últimos dez anos o surf brasileiro conseguiu projeção e reconhecimento internacional através de nossos big riders, que chegaram ao topo do surf mundial com performances consistentes nas mais temidas bancadas de ondas grandes do planeta. Isso é fato, incontestável.

Go Big!
Por: Roger Ferreira/Revista Surfar.



Desejo saber qual comentario de cada um sobre o tema.Até a próxima, Mauro.

Comentarios

Publicado por diego  
el Febrero 12, 2009, 10:52 am


 
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