ETAPA WQS/WCT URUGUAY

ETAPA WCT/WQS – URUGUAY

Após alguns debates no “chat” do PAIPO, a respeito da possibilidade de existir uma etapa do WCT ou WQS no Uruguay, passei a refletir minhas idéias com os pensamentos dos demais participantes, que se expressaram resumidamente da seguinte forma :

Amilkar – Diz que o Uruguay é um mercado muito pequeno, mas que acha que existem no país ondas de qualidade suficiente. Fala que empresas grandes não querem fomentar o surf no país. Que existem poucos surfistas.

Martin – Acha difícil a realização , pois países como Chile, Equador e Peru que possuem boas ondas não conseguiram. E que dificilmente haveria em 20 dias de espera 2 dias clássicos.

Ramiro – Confirma que Mar Del Plata não possui melhores ondas que no Uruguay.

5:9 – Diz que é difícil WCT no Uruguay e que não fariam campeonatos com ondas de “mierda”. Entretanto fizeram no Japão com ondas sempre ruins.

Pela – Informa que não haveria 4 dias de ondas de qualidade, que o Brasil possui melhores condições de ter uma etapa do circuito.

Pichibull – Informa que o Chile que possui grandes ondas , somente agora possui uma etapa bancada pela Rip Curl e que não há ondas boas em seu país. Sugere etapa da ALAS e apoio a “Luisma”.

A partir das colocações dos amigos , passo a expor os meus pensamentos sobre o tema.

O Uruguay pode possuir uma pequena população e surfistas, entretanto, este não é o critério para a viabilização de uma etapa do circuito. O meu estado no Brasil é o Rio Grande do Sul, que é do tamanho e com mesma população que a do Uruguay, e conseguiu anos atrás sediar uma etapa WQS em Torres em detrimento de estados maiores e de maior importância, com péssima reputação de ondas. O exemplo de Mar del Plata é emblemático. A maioria dos surfistas argentinos reside em Buenos Aires, distante mais de 500KM. Das vezes que estive presente em tal cidade, nunca presenciei boas ondas. Tão pouco li revistas divulgando boas ondas nos campeonatos em tal local. Nada contra os argentinos , mas não possuem uma tradição no surf, ondas de qualidade e possuem certamente menos surfistas que no Uruguay, fora as dificuldades naturais de distância e clima da região litorânea deste país. Entretanto ocorreram várias etapas WQS naquele país.

O WCT no Brasil é patrocinado pela marca “NOVA SKIN”, cerveja de qualidade duvidosa para meu paladar, entretanto, alavancou as suas vendas com a etapa do circuito , estando atualmente entre as lideres de vendas. O surf teve grande importância em tal crescimento, a marca, agora, na imagem das pessoas, esta ligada a praia, mulheres bonitas, ondas e verão. A marca da mesma bebida no Uruguay possui qualidade infinitamente superior a brasileira e pode ter o mesmo sucesso que a brasileira.

O Peru é um país incrível , em que tive muitas passagens, entretanto, a situação política e financeira fez com que perdesse o prestígio de décadas anteriores. Inclusive na década de 60 teve um campeão mundial. A etapa de Punta Rocas realizada anos anteriores era bancada pela cerveja CRISTAL. No Brasil existe muita pobreza e favelas, entretanto no Peru grande parte da população vive na linha da miséria. No entanto, consegue bancar com uma empresa local sua etapa do circuito. O Equador possui boas ondas, mas padece de situação política em que não se pode oferecer segurança e estrutura a um evento internacional. O Chile é um país de ótimas ondas, agora possuindo uma etapa do circuito, bancado por uma marca internacional. Possui uma ótima situação financeira, não possui uma grande população ou grande número de surfistas. Outro aspecto sempre referido é a qualidade das ondas. Tal requisito nunca foi o critério decisivo para a ASP. Nos últimos anos tem havido privilégio no WCT a locais de ótimas ondas, mas ainda tem etapas com ondas sem qualidade . O Japão é um exemplo disso em sua etapa, como bem lembrou o amigo 5:9. O próprio Brasil em sua etapa não tem tido boas ondas, sendo que todos os anos tem que se observar o limite de espera da janela do evento, para aproveitar um a dois dias razoáveis. No WQS já não existe esse objetivo, o interessante são as premiações e os pontos obtidos. Etapas na Inglaterra , no nordeste do Brasil, algumas etapas da França entre outras com certa freqüência rolaram com ondas ruins. Sinalo ainda, que a antiga IPS, promoveu uma etapa em ISRAEL, na década de 70, o que aí se denota o espírito da entidade. Na minha opinião, o Uruguay possui condições de ondas suficientes para bancar uma etapa internacional seja ela WQS,WCT ou ALAS. Empresas Nacionais ou Multinacionais podem bancar uma etapa uruguaia, o retorno pode ser grande a título de vendas e mídia. A Federação deve apoiar, juntamente com os organismos governamentais. O Uruguay ganhou duas olimpíadas, duas copas do mundo e vários títulos mundiais de clubes no futebol, mesmo com todas as restrições alegadas quanto ao tamanho da população. A maior característica dos uruguaios no futebol sempre foi a temida “garra uruguaia”. Tal atitude pode ser endereçada no surf. Se o país não tem condições no momento de um WCT, se tente uma etapa WQS ou se busque no mínimo uma etapa do ALAS, como disse pichibull com correção. Um grande abraço, era essa minha opinião. Mauro Escobar
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