Esta imagem foi tirado por um paipero charrua que ficou chocado com o comportamento de alguns brasileiros que se achavam donos do pico nas praias da Fortaleza de Santa Tereza.
A foto acima me traz muita revolta e indignação. Esta matéria foi feita com muita tristeza , mas muito necessária para que todos saibam minha posição sobre o assunto.
Tenho como obrigação informar que este assunto foi muito debatido com os brasileiros e causou muito revolta pela atitude tomada por alguns. Troquei ainda algumas idéias com Juanto e Pela sobre o tema.
O surf é um esporte que impõe um estilo de vida diferente dos demais. Não há melhor sensação que estar em um pico com altas ondas rodeado por amigos.
O surf, com o passar dos anos cresceu muito , mas a sua filosofia e seus princípios continuam os mesmos.
Na década de 80 quando conheci as praias da Fortaleza de Santa Tereza não foram uruguaios mas surfistas de Santa Vitória e Rio Grande que se faziam mais presentes. Com o passar do tempo houve aumento de surfistas tanto uruguaios como brasileiros. A região de Santa Tereza sempre foi marcante o convívio sadio entre os surfistas, mesmo que em alguns momentos um ou outro grupo, fosse maioria. Não admito falta de respeito, não respeitar a preferência e ser mal educado no pico tanto de brasileiros, charruas, argentinos ou qualquer outro. A linguagem do surf é universal.
A foto mostrada e os atos praticados, as quais recebi informação, são um desrespeito total com o pico. Me somo e apoio a todos os paiperos que ficaram indignados com tal situação.
Tenho na lembrança certos fatos que me acompanham. Me lembro muitos bem anos atrás quando chegava em Punta Hermosa, reconheci um amigo , Marcelo Teixeira, que estava hospedado no Hotel . Percebi logo que estava com um corte que rasgava um dos pés de uma ponta a outra. Uns 30 pontos. Esse corte fora ocasionado em uma praia desconhecida chamada “Pepinos”, no meio do deserto a uns 100 KM de Punta Hermosa. Além de meu amigo estava seu parceiro de nome Guto, hoje representante da Hang Loose e um grande amigo. Dois surfistas brasileiros de São Paulo que chegaram em um carro locado, não respeitaram o pico só com 4 surfistas. Um deles passou com a quilha sobre Marcelo depois de não respeitar a preferência. Além disso não prestou qualquer socorro mesmo estando de auto. E ao sair ainda ofendeu o Marcelo. Depois de 10 dias, com Punta Rocas rolando entre 6 a 8 pés, recebi a informação que os dois estavam a chegar no pico. Fui direto ao que gerou a lesão. Retirei o seu relógio skidiver, uma neopreme, 180 dolares de sua carteira e rasguei ao meio seu passaporte. Quebrei ao meio duas tablas e disse que na próxima vez eles é que iriam ao Hospital. Depois de 15 dias sem surfar, meu amigo estava na fissura e foi pegar onda. A noite começou a passar mal , os pontos infeccionaram, tremia e tinha minha febre. Tive que avisar sua família, e, o embarquei no primeiro avião. As férias que tinham sido encerradas sem poder surfar foram geradas por um surfista do mesmo país que não respeitou a preferência e não prestou socorro.
Em outra oportunidade no backdoor num dia de boas ondas já havia sido “enrabado”(termo usado no Brasil) várias vezes por um mesmo surfista. Quando o questionei o porque de sua atitude, ele me disse : “tu és um atolado”e nunca vais me acompanhar na onda. Depois disso na próxima onda, novamente o mesmo surfista tentou fazer a mesma coisa. Joguei a prancha na sua perna. Era mês de dezembro, pelo que sei, só voltou a surfar em março. Nunca mais entrou em minhas ondas.
Sei que tais fatos não acontecem só com brasileiros mal educados. O Juanto me contou que a poucos dias teve que se estressar com surfista charrua que conhece a muito tempo que não respeitava ninguém. O localismo e a falta de respeito é um mal que acontece em todo o lugar. O mais grave é não ser local e achar que é.
Nas vezes que possa ter pego a onda de outro sempre tive a humildade de pedir desculpas, seja o prejudicado um grande surfista ou um mero iniciante. Minhas histórias não são exemplo para ninguém, mas faço questão de mostrar que sempre lutei contra situações como a que ocorreu na Fortaleza. A minha matéria, relatos da vida, constante ao lado do blog , contam um pouco disso e outros incidentes
Sei dos problemas ocorridos em Floripa com alguns Paiperos. Sempre me coloquei a disposição no Rosa ou qualquer pico em que tenha livre acesso, que tais situações por mim serão enfrentadas. O nosso grande Carcaman e sua trip de tabloneros esteve em Imbituba e Garopaba pegaram altas ondas e não tiveram qualquer problema. Deixaram uma ótima imagem. Respeito ao pico, não pegar o onda do outro, não chegar falando alto e ser educado são essenciais ao bom relacionamento.
A Fortaleza não pertence ao Brasil e continuará assim. Os brasileiros devem chegar como visitantes e assim devem se comportar. Sei que estou nesta situação.
Esse fato foi comentado por mim com outros surfistas. Ninguém achou certo o que foi feito. Ser visitante, se achar dono do pico e ainda afrontar os locais foi um grande erro. O verão esta chegando , como serão tratados os brasileiros que forem pegar ondas no Uruguay. A atitude errada de poucos poderá afetar muitos que nada fizeram por tal erro. Posso dizer aos amigos que este não é o pensamento da maioria. Falta de respeito deve ser condenado em qualquer local e hora. Tenho dois compromissos no mês de dezembro. Um deles é quando chegar na Fortaleza é saber se ainda existe algum brasileiro colocando avisos como sendo dono do pico, e, se ainda estiverem no pico tomar atitude. Se não rolar uma mudança de comportamento pacificamente será de outra forma. Estas pessoas se tentarem surfar ao meu lado receberão um tratamento todo “especial”, daqueles que ninguém quer receber. O aviso foi dado.
O outro compromisso é fazer contato com o maior número de Paiperos e colocarmos os assuntos em dia com um grande “asado” .
O erro de poucos não pode causar prejuízos a muitos. Os autores das palavras da foto se não mudarem suas atitudes perderão pranchas e equipamentos e não vão surfar quando eu estiver no pico, podem ter certeza.
Caros amigos, peço desculpa pelos atos destas pessoas. Este não é o pensamento da maioria.
Me sinto na obrigação de colocar nesta matéria minha posição e meu pensamento. Na Fortaleza sou visitante e tenho que me comportar como tal. Um abrazo a todos e boas ondas. Mauro
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