SURF – HISTORIAS

SURF – HISTORIAS

Após muitas passagens pelo Peru, muitas lembranças me vem a cabeça. Que passo agora a expor.

TERREMOTO

Após 25 dias de muitas ondas no Peru, o vôo de volta ao Brasil estava marcado para as 20 horas. Sempre no final de cada viagem o dinheiro esta bem reduzido. Nesta trip realizada no final da década de 90, como sabia que ia embarcar a noite, pensei que poderia gastar toda “la plata” , pois vindo o avião de uma escala em Los Angeles, a primeira coisa seria servido um belo jantar. A VARIG sempre primou pelo excelente serviço de bordo e pela quantidade e qualidade das bebidas e comidas a bordo. Antes de entregar o carro locado e ir ao embarque fui ao Mercado Inca em Lima e comprei todo o tipo de presente e lembrança para mim e para os amigos. Já tinha emagrecido uns 10 kg em função do surf intenso e da redução dos gastos para poder comprar alguns presentes.

Após as compras e a entrega do auto o avião começou a atrasar a sua chegada. Não tinha nada de dinheiro. Somente na escala em São Paulo, poderia sacar algum dinheiro. Fui ao balcão da VARIG e fui informada que o avião tinha o seu inicio no Japão , Los Angeles,Lima e depois São Paulo. Mas que ocorrera um grande terremoto em Los Angeles e o avião ficou muito tempo sobrevoando a cidade até o momento certo para descida e embarque.

Depois de algum tempo chegou o avião. Embarquei com meu amigo Roberto Coin, shaper da Steerboard. Após uma hora de vôo nada de comida, comecei a ficar nervoso pois estava passando fome. Fui informado pela comissária de bordo que não haveria qualquer alimentação, pois não pode ser abastecido o avião, que só pode descer para desembarque e embarque de passageiros em função do terremoto em Los Angles.

Meu amigo Roberto, conseguiu subir a escada e fazer o vôo na área da primeira classe. Recebeu “sobras” que não foram usadas , tais como latas de caviar e lagosta, champagne e whisky. Mesmo estando em igual situação, nada recebi e tive que ficar na poltrona onde estava durante 7 horas. Uma senhora que fora aos EUA ver o filho ficou com pena de minha história e me deu “meio pedaço” de um chocolate. Na escala em São Paulo para troca de avião, é que pude comer alguma coisa , algo como 3 big macs. Até hoje não sei como Roberto, que tinha a mesma passagem , conseguiu se dar bem. São histórias que não saem da lembrança.


MARIJUANA

Em outra trip no Peru, estava já a uns 10 dias em Punta Hermosa. Com a subida do mar, Punta Rocas com algo de 6 a 9 pés sólidos, alguns surfistas brasieliros começaram a querer procurar ondas menores. Muitos chamados big riders, se acovardaram. Um amigo meu que não vou citar o nome, mas depois de ler vai se identificar, só me dizia : “ Mauro pelo amor de Deus, vamos atrás de um beach breack, isso é coisa de louco, tentar entrar nesse mar desse tamanho, nos vamos morrer”. Essas palavras foram dadas em frente a Punta Rocas, no penhasco a sua frente e com as linhas entrando no outside da bancada.
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Punta Rocas, as linhas entrando na bancada.


O amigo ficou a tirar fotos apenas. Mas havia no hotel um jovem surfista de 16 anos, brasileiro, do Estado do Paraná, que só tinha uma prancha tamanho 6,0, mas quando estava para colocar o neopreme o vi entrar pelo canal. Olhei para todos os que me chamavam de louco e disse sobre o exemplo do jovem surfista. Alguns me seguiram, outros não. Depois de quase 4 horas de surf intenso e 10 surfistas no pico, tinha pego apenas 3 ondas, mas excelentes em tamanho e extensão percorrida. As direitas tinham a possibilidade que ter o canal para o retorno. As esquerdas ao contrário , eram melhores , mas ficavam em frente a bancada e sem canal, tendo ainda as series maiores quase conectavam com a onda de Kontiki. Das 3 ondas , uma direita e duas esquerdas. A direito sem problemas, numa esquerda, tive sorte pois deu o intervalo d serie e consegui voltar. Mas a outra esquerda tomei duas séries na cabeça inteiras, fui parar no final da bancada com água no joelho , no meio das pedras. Demorei 40 minutos para conseguir voltar. Se não estivesse de long, estaria todo cortado. O surfista do Paraná não conseguiu pegar nenhuma onda. Foram 5 tentativas e 5 vacas. Mas ficou marcado como exemplo de coragem. Não tinha experiência nem prancha. Mas coragem de sobra.
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Essa onda não sai de minha cabeça por anos sem parar.

Depois de alguns dias fui na busca de olas em Cerro Azul, e convidei para trip o surfista do Paraná. Éramos 5 surfistas em um carro alugado. Depois de 50 minutos de viagens havia uma barreira policial. Os surfistas sempre eram parados. Mostramos todos os documentos e o jovem não tinha trazido o passaporte. Fomos conduzidos para dentro da barreira. O policial peruano dizia que era comum haver drogas com surfistas e que havia dois cachorros (perros) treinados para acha-los e que se havia era melhor lhe informar. Neguei de plano. O policial novamente fez ameaças e dizia que havia problemas de pintura na delegacia rodoviária. Fui falar com os amigos, o jovem me disse que além de não estar com o passaporte tinha em sua capa de prancha de 200 a 300 gramas da legitima marijuana peruana, que comprara para experimentar. Vi que o problema seria grave e mesmo não tendo nada a ver com a situação poderia ir para cadeia, sem culpa alguma. Quando do meu retorno para as palavras finais com o policial, entra na barreira um auto com placas da Colômbia. Esse foi direto para a barraca dos perros.

Por tal motivo o policial me pediu 100 dólares para uma cerveza e para pintura da delegacia, o que dei sem pensar e fui embora. Passado o medo e susto tive que dar um belo corretivo no surfista novato. São situações que no momento foram críticas e não devem mais acontecer, pois as conseqüências poderiam ser trágicas. Eu era o mais velho de todos e tive que tomar atitudes drásticas e ensinar o verdadeiro espírito do surf, que não tinha nada a ver com o ocorrido. O Paranaense teve que pagar os 100 dólares que gastei e mais alguns “juros” pela situação que enfrentei.


Até a próxima, Mauro.


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