CAMPEÕES MUNDIAIS SEM CARISMA

CAMPEÕES MUNDIAIS SEM CARISMA

No ano de 1964 começaram as disputas para a disputa de campeão mundial de surf. Entre os anos de 1964 e 1972 a disputa se dava em um campeonato, apenas. Somente em 1976 o título mundial passou a ser disputado em um circuito com várias etapas, com a criação da International Professional Surfing (IPS), dirigida pelos havaianos Fred Hemmings e Randy Rarick. A partir de 1984 o tour passou a ser organizado pela Association of Surfing Professionals (ASP), dirigida pelo australiano Ian Cairns. Em 1992 foram criadas as divisões do surfe mundial: World Championship Tour (WCT) e World Qualifying Series (WQS).

Das 31 disputas, em forma de circuito, 17 foram vencidas por norte-americanos, sendo 5 delas por havaianos; 12 foram vencidas por australianos (a última em 1999- Occy); e apenas dois títulos escaparam desse domínio: um ficou com um sul-africano (1977 – Shaun Tomson) e outro com o britânico Martin Potter (1989). Os americanos venceram 14 das últimas 15 disputas, ironicamente o período desde a criação das duas divisões. Kelly Slater é o maior vencedor, com oito títulos, Mark Richards alcançou quatro, Tom Curren e Andy Irons (em atividade) conquistaram três cada e Tom Carrol e Damien Hardman foram bicampeões mundiais.

Todos aqueles que se sagraram campeões mundiais de forma alguma poderia se dizer que não são ou foram bons surfistas ou não sabem pegar ondas, pelo contrário, estão todos acima da média do surfista comum. No entanto alguns campeões não cativaram o público , não tinham carisma ou a sua personalidade não era nem um pouco cativante. Nós que somos latino americanos, tentamos nos espelhar em nossos ídolos e mesmo não tendo nenhum representante com tal título, apreciamos aqueles de espelham a boa imagem do esporte e do amante do esporte das ondas.

O primeiro que indico é Peter Towned , australiano, primeiro vencedor do antigo circuito da IPS, que obteve o título sem vencer qualquer etapa de todo o circuito, tendo alguns eventos , justamente aquelas em que melhores colocações obteve, as pontuações foram dadas foram maiores. Venceu , mas não cativou, sendo ainda um campeão sem muitas palavras.

A segunda indicação que faço é a do australiano Damien Hardman, mesmo com um bi campeonato(1987 e 1991) e um bi vice campeonato (1988 e 1992), ser um ótimo competidor, páreo duro nas baterias, foi um surfista introspectivo, sem um bom desempenho nas etapas em grandes ondas, principalmente. Foi talhado desde muito cedo para vencer baterias e apenas isto. Não prestou contribuições significativas ao esporte. Se disputasse o atual circuito da ASP, que privilegia etapas em ondas de qualidade, mesmo estando no auge de sua forma, seria difícil alcançar os seus resultados do passado. No Brasil não teve desempenho ruim , mas ficava estritamente concentrado em superar o adversário, não se deixava contagiar pelo público.

Outro que posso citar é o havaiano Sunny Gracia, competidor exímio , que conseguiu o equilíbrio de superar vários tipos de ondas, ao contrário de seus conterrâneos que se limitavam aoTriplice Coroa Havaiana. O problema de Sunny não foi dentro do mar, mas fora dele. Dono de uma personalidade forte, seguidamente fora acusado de agressões em outros colegas de circuito, sendo muitos brasileiros. Viveu problemas com bebidas e drogas. Sempre cultivou a imagem de “bad boy” no mau sentido da palavra. Sempre intimidou surfistas estrangeiros no Havaí. Seguidamente dava declarações desrespeitosas a colegas de profissão e patrocinadores. Mesmo sendo um campeão mundial tanto em ondas de todo o tipo, ter demonstrado grande talento, transpareceu uma imagem negativa ao esporte. Ao contrario de outro havaiano, Derek Ho e sua família de surfistas, que muito contribuíram para a imagem positiva do surf mundial.

C.J. Hobgood, vencedor do circuito em 2001, no hiato de abandono provisório de Slater e sem a ascensão de Andy Irons, pouco cativou o seu título. Vários dizem que só foi campeão, pois Slater não teria corrido o circuito. Sendo um surfista ainda muito jovem, com idade suficiente para contrapor minhas palavras. No entanto, nas baterias em que o vi pessoalmente, não me empolgaram.

Por outro lado surfistas que só obtiveram o vice campeonato ou não tiveram vida longa no circuito, são muito mais reverenciados pelo público em geral. Ian Cairs, vice 1976, deu sua contribuição a frente da ASP, Cheyne Horam , vice em 1978-1979-1981-1982, muito lembrado pela sua acessibilidade aos brasileiros e o seu desempenho nas inesquecíveis etapas brasileiras do circuito na praia do Arpoador – Waimea 5000, na década de 70. Sem falar no campeão de 1989, Potter que revolucionou nas manobras no circuito. O floater e os aéreos foram sua marca registrada que redefiniram as baterias nos anos seguintes.

O surf vive uma fase maravilhosa, Kelly Slater e Andy Irons são realmente campeões mundiais, no sentido total da palavra,e , atualmente empolgam e são carismáticos. Essa é a melhor fase do surf competição de todos os tempos. Cito ainda os veteranos Curren e Mark Occilupo que ainda mostram o seu talento. A estes podem se somar os grandes Nat Young, Shaun Tomson, Mark Richards, Barton Lynch e Tom Carroll.

Um campeão mundial de surf não deve ter somente o título e saber vencer baterias, deve ter carisma e ser um bom exemplo ao esporte. É isso que o surf espera e quer para avançar ainda mais. Alguns campeões não possuem este predicado. Rezo ainda por um campeão mundial brasileiro ou sul americano. Essa era a minha opinião, um abraço. Mauro Escobar

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