No Brasil, época de carnaval, sempre foi ligado a longas filas nas estradas, muita gente na praia , muita bebida e muito crowd.
Depois das frustrantes impressões dos porteños no Rosa, pensei nos acontecimentos que iriam acontecer no Uruguay e não tive dúvida, era este o destino nos 8 dias que teria na época do carnaval.
O amigo e shaper da Steerboard, Roberto Coin, estaria indo para região com muitas tablas e tablones junto com surfistas locais de Santa Vitória e Barra do Chuy, o George da Wavetoon estaria em La Paloma e estaria acontecendo a etapa da praia do Barco da USU.
Resolvi viajar sozinho, ao lado de Patrícia, para surfar ao máximo e poder produzir um bom material ao Paipo e aos sites hermanos.
9:2 foi um dos primeiros paiperos a ser informado desta trip. Neste momento já recebera a informação que estaria com outros paiperos como o free-surf. Estaria sendo organizado alguma trip para Secret 2, desconhecida “ola” charrua, que é guardada em segredo e tenho o compromisso de não divulgar os caminhos deste pico. Poronguero estaria em Punta Del Diablo . Emiliano somente viria surfar apenas o dia, em La Paloma, provavelmente terça em função dos estudos. Juanto não consegui contato. Pichibul e Augusto estariam em La Aguada envolvidos na etapa da USU. Nos rádios e na televisão indicava estradas congestionadas no Brasil , com 70 km da estrada parada.
1 – Barra do Chuy, quebrando.
2 – Área do campeonato.
3 – La Pedrera, ondas clássicas.
4 – Ondas solitárias, mesmo com campeonato próximo.
5 – Mariana (hija de Roberto), Mauro e Pichibull, desejando sorte ao amigo.
6 – Surf , Desplayado, para poucos.
7 – Ondas em frente a “las rocas”.
8 – Larga, lisa e perfeita, Desplayado.
9 – A direita com bom tamanho, Desplayado.
10 – A onda do dia, Desplayado.
Estes eram os planos, mas muitas coisas aconteceram a mais . No sábado recebi um telefonema pelo celular de Roberto informando que sofrera acidente na região de Pelotas, sem danos físicos, ms o motor de sua Parati havia se queimado. Estava acompanhado de seu laminador “Carlão”, local de Santa Vitória. Passei em Pelotas e resgatei os amigos. O carro ficou para trás em uma oficina. As bagagens, tablas e metade da trip veio no meu carro e os demais foram embarcados em um ônibus com destino a fronteira Brasil/Uruguay. Viagem longa e com muito cuidado para evitar qualquer outro acidente.
O primeiro a ser contatado foi o Gustavo Campos e sua família, como sempre fui muito bem tratado. Já havia as previsões dos dias de ondas. Fui buscar Gustavo para juntos irmos a La Paloma surfarmos as ondas que já rolavam. Quando cheguei na Barra do Chuy, a primeiro coisa que me disse foi o velho ditado local : “quando as ondas estão rolando, surfe imediatamente e não perca tempo”. Gustavo ficou na Barra e pelas fotos dá para notar que rolaram ótimas ondas.
Antes de chegar a La Paloma fui conferir La Pedrera. Altas ondas tanto na praia do Barco como Desplayado e em frente a las rocas. Altos tubos na beira da praia do Barco, sendo os competidores privilegiados com tais condições. Pichibul foi encontrado e lhe desejei muita sorte e que tinha certeza de um resultado melhor do que na etapa anterior. Após a conversa com o amigo, fui ao surfe em Desplayado. Direitas maravilhosas 3 horas de surf intenso. Drop em frente as pedras até o meio da praia. As ondas variavam conforme a série entre um a dois metros as maiores.
11 – Onda para muitas manobras, Desplayado.
12 – Remando para o expresso, Desplayado.
13 – A última onda que rolou, antes do vento leste.
14 – Esperando a próxima caída.
15 – A beleza do farol de La Paloma.
16 – Poronguero, Gustavo e Mauro, após algumas “cervezas”.
17 – “Secret 1”, uma onda a ser explorada.
18 – Boas ondas entrando no meio do rio, Barra do Chuy.
19 – Coluna “gatinhas”, Punta del Diablo.
20 - Los Pesqueros , com bom tamanho.
Pela primeira vez pude mirar as reais situações dos campeonatos no Uruguay. Como visitante não tenho o direito de mudar ou dizer alguma palavra. Entretanto notei poucas informações , como banners ou outdoors na chegada das praias ou cidades anunciando o evento. As notas não eram digitalizadas e o palanque era pequeno. Entretanto bons surfistas em todas as categorias podiam facilmente ser vistos. Uma nova geração charrua promete. Creio também que se as baterias seguissem o mesmo formato do WCT , os surfistas que fossem competir no exterior teriam mais facilidades. Existem grandes diferenças entre baterias de 4 surfistas como homem a homem. Tudo com tempo pode ser resolvido e acho que esta é a luta dos surfistas do Uruguay e torço que consigam cada vez mais avançar no esporte.
Muitas pranchas quebradas, mas muitas ondas e tubos. Essa fórmula é mágica e foi obtida tanto na área do campeonato como fora dela. Quando estava comendo algo para repor as energias Pichibul me informa que “rompeu” seu longboard, mas que estava na final. Pela foi contatado por celular, mas não nos encontramos pessoalmente, mas me mandou “um bejo”. Tenho certeza que também pegou boas ondas no seu único dia de surf.
A tarde surfei Zanja Honda e Anaconda. Zanja um onda mais pesada e longa e Anaconda mais tubular e mais no inside. Em Anaconda consegui alguns tubos de esquerda, mas na sua maioria não consegui completar até o fim, normalmente a última sessão fechava. Fiquei mais para fora e sempre buscava as maiores. Muitos brasileiros em La Paloma, como nunca tinha visto. Os brasileiros da nova geração tem usado correntes de aço ou prata no pescoço. O que facilmente podiam ser identificados. Respeito a moda de cada geração, mas tal uso prejudica o surf e em nada tem haver com a imagem do surfista, parecem traficantes das favelas do Rio de Janeiro.
21 – Los Pesqueros , esquerdas até o meio da praia.
22 – Brasileiros fazendo “fiesta” na fronteira.
23 – Barra do Chuy, lado brasileiro.
24 – Barra do Chuy , ao lado do molhe.
25 – Amigos Brasileiros na Barra do Chuy.
26 – Museo , escultura.
27 – Visual do alto do museo.
28 – Trabalho em madeira de navio.
29 – Os albatrozes.
30 - Maçaricos
A terça feira de Carnaval foi de total flat, eu e Gustavo fomos a Punta Del Diablo contatar o amigo Poronguero, que estava com sua namorada. Após muitas cervezas, por idéia de Gustavo, foi sugerido a criação no Paipo, da página “gatinhas” esse começou a buscar a primeira a ser fotografada. As Patrícias, Pilsen e Norteñas atrapalharam as fotos, mesmo as mais simples. Mesmo assim Poronguero disse o seguinte : “quarta haverá boas ondas, no inicio da manha com 1 metro ou mais”. Ninguém acreditou e nesta matéria informo que ele tinha total razão, pois na quarta feira pela manha, La Moza e Cerro Chato rolou de gala até ao 12:00 quando o vento leste apareceu com força e acabou com as ondas. Uma bela manha de ondas sem ninguém esperar. Gustavo trabalhou toda a manha, quando saiu a tarde , já havia acabado as ondas.
O problema dos brasileiros em Santa Tereza deve novamente ser discutido. Em época de verão normalmente todos os picos estão crowdeados, entretanto danos ao meio ambiente são imperdoáveis. Um exemplo disso é o lixo (basura) nas praias, como na foto do Cerro Chato em que aparece varias latas jogadas nas areias. Por serem marcas de origem brasileira pode se suspeitar dos causadores. Outro fato foi placas com anúncios de festas e bares em português, em território uruguaio, como a que aparece na foto. No mar, não presenciei qualquer problema.
O outro local que tive o prazer de conhecer foi o “museo” que fica a 40 metros da fronteira , na Barra do Chuy, de propriedade do “Coelho”, artista de grande talento e muito receptivo com os visitantes. Não se paga nada e se tem um aula de arte e cultura. Alguns shows de blues , jazz e rock estava programados. O artista trabalha muito com materiais encontrados na beira do mar, como ossos de baleias, restos de navios e qualquer material que chegue a praia. Uma arte extremamente correta e ecológica, retirando o lixo da praia e a transformando . Infelizmente não encontra apoio do governo brasileiro e luta pelo meio ambiente e pela cultura solitariamente. O “atelier” pode ser encontrado logo após a ponte da fronteira em território brasileiro. Um terreno grande, com um visual incrível para mar, certamente deve ser fonte de inspiração para seus trabalhos. Mesmo estando em território do Brasil , o visual da ondas é somente para o lado o do Uruguay. O Paipo tem debatido muito o meio ambiente nos últimos tempos, e este exemplo pode muito ajudar nesta luta. Todos os surfistas devem lutar pela preservação da praias.
31 – “La Frontera”.
32 – La Moza.
33 – La Moza picada, com ondas.
34 – Patrícia , La Moza.
35 – Cerro Chato, a última onda.
36 – Capivaras (capinchos).
37 – Visual do museo, lado uruguaio.
38 – Ondas na praia Grande , Fortaleza.
39 – Los Pesqueros.
40 – Lixo(basura), marcas de “cervezas” do Brasil.
Em La Paloma fiquei tranqüilo quando cheguei na “PETECO” mirei os livros da WAVETOON a serem vendidos. Caros Paiperos não deixem de conhecer este trabalho de surfistas para surfistas . É a primeira surf histories da América dos Sul. Quando estiverem em La Paloma vão conferir o trabalho e se não se estiverem, mandem um email para a loja e reservem o seu livro.
Pude conferir a diferenças de câmbio entre Brasil e Uruguay. Normalmente os brasileiros vinham com várias pranchas que eram compradas facilmente pelas surf shops como diretamente na beira da praia. Este momento é interessante aos shapers charruas, pois conseguem fazer tablas com preços muito mais baratos que os brasileiros. Mirei já alguns brasileiros com pranchas uruguaias. Os shapers brasileiros que estavam em Rocha estavam somente fazendo “business” com brasileiros. Esse é o momento para toda a indústria local avançar.
O último dia de trip, sexta, foi marcado por boas ondas na Fortaleza, o Cerro Chato mostrou uma bela despedida. Depois do carnaval o movimento tanto na Fortaleza, quanto no Chuy ou La Paloma já era bem menor. Mesmo com algum lixo jogado na praia, o meio ambiente na região é maravilhoso, sendo comum encontrar animais na busca das “olas”, o que nos faz aumentar a luta. A fotos dos albatrozes , maçaricos e da família de capivaras (capinchos) são um belo exemplo.
41 – Barra do Chuy, Iemanjá.
42 – Chuy, sem crowd.
43 – Barra do Chuy, por Gustavo.
44 - No meio da onda.
45 – Até a beira da praia, Chuy.
46 – As séries na Barra do Chuy.
47 – Ondas abrindo para os dois lados, La Pedrera.
48 - A série, Desplayado.
49 - Próximo ao campeonato.
50 - Altas ondas , Desplayado.
O Gustavo me contou a história de amigo seu que é guarda vidas no Chuy durante o verão e no inverno faz o mesmo trabalho na Espanha. É um privilégio ter 2 verões por ano. Na foto da Barra Chuy é ele que aparece no tubo.
Ao amigo 9:2, digo , que a trip será feita em breve, e que não faltará oportunidade. Uma lástima não ter realizado este encontro. Será um motivo a mais para voltar.
Todo o retorno é triste, mas já pensando em novas trips e desafios. As olas do Cerro Chato e Desplayado foram muitos bons. A Barra do Chuy também não decepcionou. Foi um Carnaval de 8 dias com muito surf, amigos e cultura .Espero voltar em breve, sempre respeitando onde estou e a todos. Um abrazo e até a próxima, Mauro.
51 - A série , La Pedrera.
52 - Desplayado, entrando.
53 - Arte em ossos de baleia.
54 - La Coronilla, Barra.
55 - La Viuda, flat.Valoración: