Na minha opinião os dois surfistas brasileiros com chances de buscar boas colocações no circuito da ASP, são MINEIRINHO e RAONI MONTEIRO. Raoni, surfista de Saquarema/Rio de Janeiro, tem estilo polido de surf, que enche os olhos. Prima pelas manobras agressivas e os tubos , que aprendeu em Itaúna. Mineirinho é um competidor nato, especialista em vencer. Desde as categorias inciantes ganhava campeonatos. Tive o prazer de o ver vencer um campeonato em São José do Norte, enfrentando surfistas que tinham a idade para ser seu pai.
Para chegar a este patamar devemos nos lembrar o que acontecia no Brasil, no inicio da década de 70. Era a geração de Pepê, Rico, Daniel Friedman, Cauli entre outros. Havia o campeonato Waimea 5000, que era disputado na praia do Arpoador/Rio de Janeiro. Foram momento memoráveis, em que pudemos ver os surfistas autralianos, havaianos, americanos e sul africanos desafiarem os brasileiros. O surf local obteve boas colocações nestes campeonatos frente a surfistas internacionais, foi um ótimo intercâmbio.
No entanto apareceu o lado obscuro do surf, que fez todo o avanço regredir nos anos seguintes. Os brasileiros começaram a falsificar as marcas estrangeiras da época tais como OP, Sundek, Bolt e outras. Todo o surfista brasileiro que ia correr o circuito internacional era visto com olhos de desconfiança. Através da ganância e pirataria de alguns, os surfistas do exterior não vinham mais ao Brasil. O tradicional campeonato foi extinto. Os surfistas brasileiros que possuiam patrocinio de marcas piratas não eram aceitos nos outros países.
Os ventos mudaram somente no ano de 1986, com a realização na Praia da Joaquina do Hang Loose Pro, vencida por David Macaulay. Ocorreu acerto entre as marcas internacionais e os brasileiros que começaram a pagar pelo uso da marca. Carol , Tompson , Potter, Garcia entre outros apareceram no Brasil neste e nos eventos que se seguiram, mostrando o que acontecia no mundo da época.
O progresso foi imediato, uma nova geração surgiu. O talento de Fabio Gouveia e Teco surge no mundial amador de 1988. Fabinho vence o campeonato em Porto Rico. Os dois logo em seguida passam a competir no circuito profissional, chegando Teco e Fabinho a vencer etapas , inclusive em Sunset. Essa evolução dentro dágua gerou avanço nos equipamentos. As pranchas brasileiras por exemplo não ficam atrás das estrangeiras. Muitos surfistas do exterior tem vindo comprar as feitas no Brasil.
Estamos colhendo o fruto deste esforço. Chegamos agora a ter sonhos maiores, tais como almejar termos o campeão da ASP . Não sei se Raoni ou Mineirinho vão conseguir, mas num futuro próximo poderão ter chances. Novos talentos tem surgido nas categorias de base. Hoje somos uma potência, mas temos que desejar sempre mais para avançarmos. Os brasileiros tem dominado nos últimos anos o WQS e não tem tido o mesmo desempenho no WCT. Ainda temos problemas com patrocinios, campeonatos e premiação, mas temos que pensar grande. As coisas não acontecem da noite para o dia. Os tempos são outros, quando poderíamos adivinhar que veríamos um capeonato de surf ao vivo pela televisão. Essa é a nossa nova realidade. Tomara que avancemos cada vez mais.
Caros amigos do Paipo, o seu país tem boas ondas e um ótimo potencial para crescer. Que esta pequena história sirva de motivação para bons patrocínios, muitos campeonatos, uma federação atuante e que as empresas ligadas ao surf avancem. Não cometam os erros dos brasileiros e muita boa sorte. Um grande abraço. mauro escobarValoración: