CAULI RODRIGUES

Capa da revista Brasil Surf e pódio no Olimpikus de 1983.

Arpoador.
O CAULI é de uma geração mais velha que a minha, a dos precursores do surf no Brasil. As suas batidas eram inconfundíveis. Mirei seu surf no Arpoador e na Joaquina. Esta matéria do jornalista Carlos Matias é excelente e não poderia deixar de publicar no Paipo. Cauli é um ídolo no Brasil, mas não sei se os Paiperos do Uruguay já escutaram o nome do Cauli , esta é uma boa oportunidade.
Um dos mais importantes surfistas de todos os tempos. Essa frase resume Carlos Felipe da Veiga Lima Rodrigues, o Cauli Rodrigues. Essa grande personalidade, que com o seu profissionalismo e amor pelo esporte, se tornou um excelente atleta tanto no freesurf quanto nas competições, onde acumula vitórias e um grande revolucionário tanto nas manobras quanto em seus atos em prol do surf.
No ano de 1965, Cauli Rodrigues começou a dar seus primeiros drops nas ondas do Posto 5, em Copacabana, local que segundo ele, tinha ondas comparadas as de Sunset Beach, no Hawaii. Depois conheceu as ondas do Arpoador e Ipanema. Tudo isso com prancha de isopor. Em 1968, começou a surfar com pranchas de fibra. Pouco tempo depois entrou numa fila para encomendar uma prancha e esperou nove meses até chegar a sua vez. Depois disso, mais três meses e ela estava pronta.

Muitos títulos e trófeus.

Quebra Mar.

Competindo no Stubbies na Australia.
A partir daí, manobras fortes e bonitas passaram a fazer parte de seu repertório. Seus cutbacks, tubos e, principalmente, suas batidas de backside marcaram época. Seus treinos diários, muitas vezes de quase oito horas, refletiam um profissionalismo desconhecido na época.
Seu surf foi moldado em ondas de diversas partes do mundo. Em alguns lugares ele teve rápida passagem, mas no Havaí e na Austrália ele morou por algum tempo. No Hawai gostava muito de Sunset, Velz land, Rock Point e Laniakea, além de outros secrets. Na terra dos cangurus, surfou todas as ondas da costa leste como Cronulla, Shark Island, Crescente Head, Dbah, Burleigh Heads e Angourie, considerada pelos australianos como a melhor onda da costa leste. Segundo Cauli, as competições em Burleigh Heads eram especiais.
“Os eventos eram mágicos! As direitas tinham uns 300 metros de extensão e eram perfeitas e tubulares. Além disso eram apenas dois caras na água em baterias de mais de 50 minutos. Era um sonho!”.
Cauli foi o segundo surfista profissional do mundo a ser pago para surfar. O primeiro foi seu amigo Pepe, que conseguiu os patrocínios do JB e da Rádio Cidade para ele. “Fomos os primeiros surfistas no mundo a sermos pagos para surfar. A prova é o Pepe e sua prancha na final do Pipemaster de 1976 com a logomarca do JB e os outros finalistas com as pranchas em branco”, afirma Cauli, citando um dos eventos de maior repercussão do mundo.

Prêmio da Revista Fluir em 2006, pelo conjunto da obra desses anos todos.

Jogando muita pressão nas manobras.

Hang Loose 1987, Joaquina, etapa Brasil do Mundial.
Cauli Rodrigues coleciona importantes títulos no esporte. Ele foi bi-campeão brasileiro universitário em 1977, venceu os Campeonatos Brasileiros de Saquarema em 1978 e 1981 e de Ubatuba em 1979 e 1985 e o 2º Festival Olimpikus em 1983. Pode ser considerado o campeão brasileiro de 1986, o que seria fato se tivesse um ranking oficial. Em 1985 se tornou o primeiro campeão profissional carioca, no circuito inaugural da Organização dos Surfistas Profissionais (OSP). Foi o terceiro colocado na etapa brasileira do mundial Waymea 5000, em 1978, vencido pelo australiano Cheyne Horan. Na Austrália, ganhou eventos em Byron Bay e teve um excelente 17º lugar na etapa do mundial chamada Stubbies. E na África do Sul, foi quinto colocado no Billabong Pro de Jeferys Bay. Esses são alguns exemplos de sua “ficha corrida” no surf. “De 1978 a 1985 eu considero que foram meus melhores dias surfando profissionalmente”, afirma o excelente surfista.
Na Austrália, ele foi o destaque nas triagens de uma das principais etapas do mundial na época, ao vencer todas as baterias. No evento principal, foi prejudicado pelos juízes que acreditaram na história de um atleta local que acusou Cauli de ter puxado sua cordinha, num momento da bateria que o atleta brasileiro liderava a disputa.
O episódio levou o surfista da zona sul carioca a rejeitar duas propostas de patrocínio para correr todo o circuito mundial. Para ele, não valia a pena participar das etapas e não ter o julgamento correto. Na volta ao Brasil, também se decepcionou, pois percebeu que o mesmo estava acontecendo por aqui. Num evento disputado fora do Rio de Janeiro, ouviu de um juiz bêbado, antes de sua bateria, que perderia a disputa porque “carioca” não merecia ganhar nada.

Capa da Revista Visual e como vencedor do primeiro circuito profissional do Rio.

Batida de backside marca registrada.
Apesar disso, aos 51 anos, Cauli ainda quer disputar eventos. “Pretendo competir se eu estiver em forma, no meu peso ideal e principalmente com umas três pranchas boas”, conta ele. A idade nunca foi um empecilho para Cauli. A prova disso é que aos 40 anos ele venceu uma etapa do Circuito Hot Coast, disputando contra grandes nomes do surf carioca, inclusive Léo Neves, hoje na primeira divisão do mundial. “Corri a categoria open que tinha vários nomes de destaque, que hoje ganham campeonatos profissionais no Brasil e no mundo. No primeiro dia as disputas aconteceram no Arpoador e no segundo no Posto 5, que estava perfeito” lembra o surfista, que ainda hoje tem um quiver de quase 20 pranchas.
Escolher uma palavra que defina Cauli Rodrigues é difícil. Uns dizem que ele é uma lenda viva. Outros que ele é um herói do surf brasileiro. Um homem que se tornou ícone do esporte no país, que apesar dos longos treinamentos diários encontrou tempo para se formar em Comércio Exterior e Administração de Empresa, que foi um dos primeiros a levar o nome do Brasil para o mundo, que participou de importantes momentos da história, como na reunião que fundou a ASP (Association of Surfing Professionals) entidade mundial do esporte e que tem tantos resultados e títulos importantes, não pode ser definido por uma palavra. Acredito que a melhor forma de expressar sua importância para o país é lembrar e citar seu nome: Cauli Rodrigues.
Cauli um grande surfista sul americano, até próxima, Mauro.

Arpoador em 2007.

Capa da Revista Brasil Surf em 1978 e na lista dos anos 80 da revista Hardcore.Valoración:
Votos: 1